27 fevereiro, 2012

MARCADORES BIOQUÍMICOS NA RECUPERAÇÃO MUSCULAR ...

Indivíduos que treinam incessantemente, independente de qual objetivo almejam, seja hipertrofia ou o alto rendimento em atividades de endurance, devem ter muita disciplina com o treinamento e com a alimentação. Todavia, os resultados são limitados se a recuperação não for adequada. O tempo de recuperação é essencial para se controlar o processo inflamatório, e necessário, imposto pelo exercício físico. Nutrindo-se bem e adequando-se o tempo de recuperação os resultados com a prática da atividade física são otimizados. Todavia, quando o intervalo entre um treino e outro é insuficiente, cronicamente, pode-se favorecer o aumento de substâncias que comprometem a performance e a recuperação muscular e, estas podem ser observadas por meio de avaliação bioquímica.


Alterações nas enzimas hepáticas transaminase oxalacética (TGO), transaminase pirúvica (TGP) e gama glutamil transferase (GGT), acompanhadas de alterações na desidrogenase lática (DHL), creatino fosfoquinase (CPK) e aldolase são comumente observadas em atletas que possuem um período de recuperação inadequado. Outra substância que pode se apresentar alterada é o HDL, em nível superior a faixa de normalidade, indicando estresse oxidativo, além do hormônio inflamatório cortisol.

Além de estar presente em grandes quantidades nas alterações hepáticas, a enzima TGO encontra-se alterada em conjunto com a TGP nas patologias musculares. A TGO é encontrada no músculo esquelético, rins, cérebro, pulmões, leucócitos, baço e pâncreas. Dentre outras circunstâncias, valores elevados ocorrem na deficiência de piridoxina (vitamina B6), patologias músculo-esqueléticas e nas esteatoses e hepatites não alcóolicas. Vale ressaltar que drogas que sofrem destoxificação hepática (a maioria sofre) também podem causar aumento espúrio da TGO e TGP.

A TGP é encontrada principalmente no fígado e mais sensível que a TGO na detecção de injúria do hepatócito. Encontra-se também elevada nas doenças músculo-esqueléticas e esteatoses não alcoólicas. Em miopatias severas, pode estar aumentada em conjunto com a TGO.

A GGT catalisa a transferência do ácido glutâmico de um peptídeo para outro, ligando-o sempre ao grupo gama-carboxílico e encontra-se elevada em situações de estresse oxidativo. A atividade física, por si só, gera aumento na produção de radicais livres e, se não tivermos uma boa capacidade antioxidante, o processo oxidativo e inflamatório é favorecido.

A DHL catalisa a conversão reversível de lactato muscular em piruvato e este é um passo essencial nos processos metabólicos que implicam em produção de energia celular. Se encontra em excesso na presença de danos celulares. Quando alterada, suporta os resultados de CPK, que é uma enzima com alta concentração no músculo esquelético, miocárdio e cérebro. Os níveis aumentados de CPK se correlacionam com o desenvolvimento de alterações musculares degenerativas.

A enzima aldolase está envolvida na produção de energia via glicose. É utilizada na avaliação dos quadros de fraqueza muscular e valores reduzidos podem ser encontrados nas fases avançadas das miopatias. Já o cortisol pode estar elevado em indivíduos que não possuem um bom período de recuperação. É um hormônio catabólico com papel contrário ao da insulina, anabólica. Ou seja, com o cortisol elevado a recuperação das miofibrilas musculares fica inviabilizada.

Estes são apenas alguns marcadores bioquímicos uteis e não exclusivos para se avaliar a adequação do tempo de recuperação no treinamento. Se eles estiverem alterados é hora de repensar o treinamento!

Texto: Joana Lucyk
Fonte: Site - SigaSuaDieta

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