09 dezembro, 2011

EXERCÍCIOS RESISTIDOS - INTERVALO ENTRE AS SERIES REFLETE NA PRODUÇÃO DO GH ...

O IR utilizado durante o treinamento resistido, é uma variável de grande importância para os pesquisadores, atletas, treinadores, e praticantes de exercícios resistidos. A amplitude do intervalo de recuperação entre as séries influencia as respostas agudas metabólicas, as respostas crônicas da força muscular, o desempenho das séries subseqüentes, e as repostas hormonais.A manipulação das variáveis de um programa de treinamento resistido depende dos objetivos do programa e das necessidades individuais. As variáveis normalmente manipuladas são: intensidade, volume, freqüência, velocidade de contração, ordem de exercícios e intervalo de recuperação (IR) entre as séries(1,2)

Um dos hormônios que vem sendo estudado e tem o aumento da sua concentração influenciado pelo IR é o hormônio do crescimento (GH). O GH está relacionado à promoção do anabolismo tanto no tecido muscular como no tecido conectivo. Especificamente ele aumenta a absorção de aminoácidos pela célula e a síntese protéica na célula muscular contribuindo com a hipertrofia das fibras musculares(15,16). Kraemer et al.(14) analisaram as respostas de GH a duas intensidades (5 e 10 RM) com dois IR (1 e 3 minutos) em homens jovens. Os autores reportaram que as maiores respostas do GH foram observadas no protocolo de 10RM com um minuto de IR. Utilizando um protocolo similar, Kraemer et al.(12) avaliaram as respostas de GH em mulheres durante a fase folicular do ciclo menstrual. Os protocolos de 5 e 10 RM que utilizaram um minuto de IR promoveram aumentos significativos na concentração de GH que duraram 15 minutos após o término do protocolo.
Conforme observado na literatura, existem poucos estudos analisando as respostas agudas do GH a diferentes IR principalmente em mulheres, além disso, há uma carência de estudos que avaliem as respostas a IR mais curtos (30 a 120 segundos). Portanto, o objetivo do presente estudo foi o de comparar os efeitos de intervalos de recuperação (30s, 60s, ou 120s) entre as séries de exercícios resistidos nas concentrações de GH após uma sessão de exercícios resistidos de membros inferiores em mulheres jovens treinadas.

DISCUSSÃO

Estudos que utilizaram uma sessão de exercícios resistidos demonstraram que a realização dos mesmos resultou em aumentos significativos nas concentrações plasmáticas do hormônio do crescimento (GH). As respostas do GH ao exercício resistido são influenciadas pelo intervalo de recuperação(12,14), intensidade, volume(20), tipo de contração muscular(21) e método de treinamento utilizado(22-27,12,14,28,20,29,30). Além disso, outros estudos sugerem que a magnitude e ou duração das respostas hormonais, ao exercício resistido, podem estar relacionadas com ganhos de força ou massa muscular durante o treinamento resistido(22,31). No entanto poucos estudos avaliaram a influência do IR entre as séries no aumento da concentração de GH em mulheres. Além disso, os estudos existentes não avaliaram os efeitos de IR menores do que um minuto. Com isso o presente estudo comparou as respostas hormonais do hormônio do crescimento (GH) em três diferentes intervalos de recuperação entre séries de exercícios resistidos (30 segundos P30; 60 segundos P60; 120 segundos P120), após uma sessão de treinamento resistido de membros inferiores em mulheres.
No presente estudo, as concentrações de GH nos protocolos estudados de 30 (P30), 60 (P60) e 120 (P120) segundos, foram significativamente maiores após a sessão de exercícios em relação aos valores de repouso em mulheres jovens treinadas, porém, quando comparados os protocolos, o P30 apresentou concentrações significativamente maiores que o P60 e o P120. Diferenças entre gêneros parecem estar relacionadas a uma maior magnitude das respostas hormonais acima das concentrações de repouso de testosterona e GH em homens quando comparados com mulheres (Kraemer et al. 1998). Porém, mulheres têm apresentado maiores concentrações de GH em repouso do que homens (HaÈ kkinen et al. 1990; HaÈ kkinen and Pa-karinen 1993; Kraemer et al. 1991). Além disso, tem sido observado que o protocolo de exercício resistido utilizado apresenta um impacto na magnitude dessas respostas hormonais (Kraemer et al. 1998).
Kraemer et al.(14) realizaram uma pesquisa com nove homens que utilizaram oito exercícios resistidos para a avaliação das respostas hormonais de diferentes protocolos. Um dos protocolos consistia em realizar 10RM, utilizando o intervalo de recuperação entre as séries de 60 s. Outro, usado como controle, consistia em realizar 10RM, com o intervalo de 180 segundos. Os autores verificaram um aumento significativo nas concentrações do GH no protocolo que utilizou 60 segundos quando comparado ao protocolo que utilizou 180 segundos. Pode-se notar que, no estudo de Kraemer et al.(14), o tempo de recuperação mais curto influenciou nos resultados verificados, pois nos menores intervalos (60 segundos) é que foram encontradas maiores concentrações hormonais. Apesar dos intervalos de recuperação utilizados no presente estudo serem diferentes dos utilizados por Kraemer et al.(14), foi verificado uma tendência do aumento das concentrações do GH com a diminuição do intervalo de recuperação, pois neste estudo o P30 apresentou concentrações significativamente maiores do GH quando comparada aos outros protocolos (P60 e P120).
Outra pesquisa realizada por Kraemer et al.(12), utilizando os mesmos protocolos e procedimentos do estudo de Kraemer et al.(14), realizada com mulheres (n = 9), apresentou resultados semelhantes ao estudo anterior. No protocolo que utilizou 60 segundos de intervalo, foram encontrados aumentos significativos nas concentrações de GH nos momentos logo após a sessão de treinamento (T1), 5 minutos (T5) e 15 minutos ao final da sessão (T15). Os resultados do estudo de Kraemer et al.(12) são similares aos resultados do presente estudo. Os estudos sugerem que a utilização de IR mais curtos está relacionada a uma maior liberação de GH. A duração do IR irá determinar a magnitude da resíntese do sistema ATP-CP e da remoção dos metabólitos provenientes da contração muscular(3). Possivelmente as maiores concentrações de GH encontradas com a utilização de IR mais curtos podem ter sido influenciadas por um maior acúmulo dos íons de H+(32,33) provenientes do metabolismo anaeróbio.
Estudos que utilizaram a oclusão vascular sugeriram que o acúmulo de metabólitos influenciou o aumento na concentração de GH(34). Takarada et al.(30) observaram os efeitos do treinamento resistido com oclusão e sem oclusão do membro inferior, para verificar as concentrações do GH. O estudo consistia em realizar cinco séries com 20% de 1RM até a exaustão, na cadeira extensora, com 30 segundos de intervalo de recuperação entre as séries. Foram encontrados aumentos significativamente maiores nas concentrações do GH no protocolo que realizou o exercício com oclusão, comparados com o protocolo que realizou sem oclusão.
Mulligan et al.(20) também avaliaram os efeitos de dois protocolos de exercícios resistidos - séries simples e séries múltiplas - nas concentrações de GH em mulheres jovens (n=10). O intervalo de recuperação utilizado entre as séries múltiplas (três séries) foi de 60 segundos. As coletas sangüíneas foram realizadas em repouso (T0), logo após a sessão (T1), 15 minutos (T15) e 30 minutos após a sessão (T30). Os autores obtiveram como resultado concentrações significativamente maiores do GH (T1 e T15) no protocolo que utilizou as três séries, chegando a concentrações de aproximadamente 13 ng/ml em T1 diminuindo para aproximadamente 10,5 ng/ml em T15 e 7 ng/ml em T30. As concentrações do GH encontradas no estudo de Mulligan et al.(20) foram inferiores às encontradas no presente estudo em T1. Porém, em T15 e T30, as concentrações do GH no presente estudo foram semelhantes às do estudo de Mulligan et al.(20). Mulligan et al.(20) não mensuraram o GH em T5.
Além disso, Linnamo et al.(28) mostraram diferenças significativas entre três protocolos analisados em 16 voluntários - oito homens e oito mulheres. O primeiro protocolo de exercício resistido máximo consistia em realizar cinco séries de 10RM em três exercícios, com 120 segundos de recuperação entre as séries. O segundo protocolo utilizava 70% de 10RM. O terceiro protocolo utilizava 40% de 10RM. Tanto em homens quanto em mulheres, o protocolo que utilizou as 10RM proporcionou maiores concentrações do GH do que os outros protocolos, chegando a concentrações de 18,95 ng/ml nos homens e 11,01 ng/ml nas mulheres em T1. No presente estudo, as concentrações do GH no P120 foram maiores em T1 (17,13 ng/ml) do que as encontradas no estudo de Linnamo et al.(28).
As maiores respostas hormonais encontradas no presente estudo, em relação aos estudos de Mulligan et al.(20) e de Linnamo et al.(28), podem ser devido a dois desses fatores: 1) tamanho do grupo muscular envolvido, e 2) nível de treinamento dos indivíduos. Kraemer et al.(35) encontraram menores concentrações, e maiores variações, no GH antes do exercício (basal) e após o exercício nas fases iniciais do programa de exercício resistido. Segundo os autores, essas adaptações hormonais podem influenciar e ajudar a mediar outras adaptações no sistema nervoso e na fibra muscular nas fases iniciais da adaptação da força após as primeiras semanas do treinamento resistido. Mulligan et al.(20) utilizaram em seus estudos exercícios que variavam o grupo muscular exercitado. Linnamo et al.(28) utilizaram em seus estudos três exercícios para diferentes grupos musculares (supino reto, abdominal e leg press) e uma amostra de mulheres sem experiência prévia em treinamento resistido. Os autores reportaram que as menores respostas hormonais nas mulheres podem, em parte, estar relacionada a uma menor massa muscular envolvida no exercício.
Recentemente, Athiainen et al.(36) observaram os efeitos crônicos de dois intervalos de recuperação (120 segundos vs 300 segundos), antes e depois de 6 meses de treinamento resistido para avaliar, entre outros, as respostas hormonais. Foram encontradas diferenças significativamente maiores nas concentrações do GH após uma sessão de exercícios resistidos no protocolo que utilizou 120 segundos contra o de 300 segundos. Além disso, no protocolo que utilizou 120 segundos foram encontradas aproximadamente 20 ng/ml do GH em T1. No presente estudo foram encontrados resultados semelhantes (17,13 ng/ml) no P120. Contudo, como já descrito anteriormente, as maiores concentrações do GH, neste estudo, foram encontradas no P30 (24,34 ng/ml).
Conclui-se com o presente estudo que a utilização dos protocolos com intervalos de recuperação menores (30 segundos ou 60 segundos) proporcionaram maiores concentrações do hormônio do crescimento (GH), após uma sessão de exercícios resistidos (ER) para membros inferiores em mulheres jovens.
Com isso a utilização de IR mais curtos (30 segundos) pode ser uma alternativa de variação dos treinamentos resistidos que tenham como objetivo a hipertrofia muscular, pois além de proporcionarem uma maior liberação de GH sua utilização pode diminuir o tempo gasto no treinamento.
Sugere-se, para futuras investigações, que novos protocolos, com diferentes intervalos de recuperação entre as séries, sejam testados e avaliados em diferentes populações, hormônios, exercícios e volumes de treinamento. Embora o controle do volume de treinamento fosse ideal, isso não foi possível devido à fadiga nas séries subseqüentes ocasionadas pelo menor intervalo de recuperação. Portanto essa foi uma limitação do presente estudo.

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Texto: Breno Martins; João Veloso; Jônatas de Barros França; Martim Bottaro


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