13 julho, 2011

TRANSTORNOS ALIMENTARES EM ATLETAS E ESPORTISTAS ...

Com o aumento de pessoas praticantes de atividades físicas altamente competitivas, treinadores e atletas são estimulados a reduzir o peso para ter um ótimo desempenho em seu esporte. Essa preocupação em diminuir a gordura corporal pode levar a redução de peso voluntaria e excessiva com graus patológicos de aversão ao alimento e à gordura. Tem casos que esses objetivos são tão severos que se aproximam dos quadros de anorexia nervosa (AN) e bulimia nervosa (BN). Quando ocorrem esses casos, os atletas apresentam um padrão de exercício excessivo e uma maior freqüência no uso de diuréticos e laxantes.
O trabalho de Sundgot-Borgen(1994) estudou os fatores de risco e os desencadeantes para o desenvolvimento de transtornos alimentares (TA) em atletas femininas de elite. O autor descreveu que, comparados aos controles, as atletas com TA começaram a treinar e a fazer dieta mais cedo na vida e tiveram a puberdade mais cedo para ótimo desempenho. Os fatores desencadeantes que tiveram períodos prolongados de dieta, freqüentes flutuações de peso,um aumento súbito no volume do treino e algum evento traumático, como uma lesão ou perda do treinador. Das 603 atletas estudadas na Noruega neste estudo 117 tinham risco para TA e 92 preencheram critério diagnostico para AN e BN.

Exercício físico em excesso como um sintoma de TA, mais freqüente na AN.

Indivíduos compulsivos por exercícios físicos,usam a atividade física como compensação ou uma auto-punição por terem exagerado nas refeições, porém não apresentam sintomas bulímicos, como indução do vômito.

TA e exercícios físicos excessivos relacionados a outros transtornos psiquiátricos.A distorção da imagem corporal é um fenômeno importante na gênese dos outros sintomas.Então esses atletas praticam atividades físicas excessivas para a manutenção ou perda de gordura corporal,podendo lesionar a musculatura e as articulações.

Segundo o Hospital Geral de Toronto, mais de 50% das pessoas com algum TA usam o exercício físico com o propósito de controlar peso, normalmente em combinação com outros métodos inadequados de controle. Existe assim o risco de tonturas, desidratação, desmaios e fadiga.

A quantidade de calorias que o corpo queima na atividade física também depende do estado nutricional. Com restrições nutricionais o metabolismo fica lento e usa menos caloria.

Os Tas e a distorção da imagem corporal podem ocorrer em atletas, inclusive do sexo masculino, sendo os esportes de maior risco, tanto para homens quanto para mulheres, aqueles no quais uma baixa porcentagem de gordura corporal é desejável, como maratonas e cross-country, além dos esportes nos quais altos índices de massa magra são interessantes, como algumas lutas, danças e corridas a cavalo.

Enquanto atletas mulheres que sofrem de TA participam de modalidades que exigem um corpo magro e belo, como atletismo, ginástica artística, nado sincronizado, ginástica olímpica e dança, principalmente ballet, os esportistas do sexo masculino acometidos de dismorfia muscular participam comumente de atividades que envolvem força, como o futebol americano, lutas e fisiculturismo. Por outro lado, homens podem sofrer também de AN e BN, principalmente bailarinos, jóqueis, ginastas, nadadores, fisiculturistas, corredores e praticantes de luta - livre.
A inter-relação entre transtorno de comportamento alimentar, amenorréia e baixa densidade óssea é chamada de tríade da mulher atleta. Todos esses componentes, que são inter-relacionados em etiologia, patogênese e deficiências de ferro, irregularidades menstruais, desmineralização óssea e danos músculo-esquelético, podem influenciar o desempenho atlético e, inclusive levar a morbidade e mortalidade.
No caso de portadores de AN, nota-se uma hiperatividade decorrente dos longos períodos de jejum praticados, provavelmente decorrente de uma hipoleptinemia. Em estudo relatado por Assunção, Cordás e Araújo (2002), pesquisadores observaram pacientes do sexo feminino com transtorno alimentar, notando que 78% realizavam exercícios excessivamente e ainda que 60% eram atletas antes de serem acometidas com o TA.

Referências bibliográficas

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Assunção SSM, Cordás TA, Araújo LASB. Atividade física e transtornos alimentares. Rev. de Psiq. Clín. 2002;

Texto: Camila Mello Aguiar

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