30 maio, 2011

O PAPEL DO ÔMEGA-3 EM ATLETAS DE ENDURANCE ...

Excluídos os componentes hereditários e o condicionamento atlético, nenhum outro fator isolado ocupa papel mais importante que a nutrição no desempenho físico do atleta. Assim, nota-se a partir dos anos 60 o aumento no número de publicações relativas ao melhor conhecimento da nutrição do atleta.Esses esforços vêm sendo direcionados, essencialmente, em dois objetivos:

1- conhecer os efeitos da atividade física sobre os requerimentos nutricionais do indivíduo;
2- conhecer os efeitos potencializadores da dieta na melhoria do desempenho atlético.

As conclusões já divulgadas permitem o consenso de que não há possibilidade da orientação nutricional única para todos os atletas. A heterogeneidade das modalidades esportivas e suas peculiaridades metabólico-energéticas selecionam o uso e as perdas de nutrientes específicos e, portanto, suas necessidades. Assim, vem se avolumando o número de trabalhos contendo informações nutricionais mais profundas, sobre cada uma das modalidades esportivas. Mesmo assim, nota-se, principalmente no Brasil, a falta desses conhecimentos específicos, tanto para os atletas como para seus treinadores. Essa falta de conhecimento é agravada, invariavelmente, pela vigência de hábitos nutricionais fundamentados em superstições, conselhos de amigos ou reportagens em imprensa leiga.

Em busca de ganho de massa muscular e com medo de aumentar a gordura corporal, muitos esportistas, atletas e mesmo sedentários, reduzem drasticamente o consumo de gorduras da alimentação. Porém, essa conduta pode prejudicar tanto a saúde do individuo como sua performance.

Principais funções que as gorduras desempenham em nosso corpo :

- Transporta e armazena as vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K);
- Modulam os níveis sanguíneos de testosterona e outros hormônios sexuais que dentre todas as funções, atuam também na hipertrofia muscular;
- Fornece elementos essenciais para formação de células do sistema imunológico;
- É constituinte das membranas das células;
- Reduz a perda de calor do organismo, funcionando como isolante térmico.

A alimentação de quem busca um melhor desempenho nos treinos, sem deixar de lado a saúde, deve conter um percentual de gorduras entre 20% a 25% das calorias totais diárias, dando a devida atenção à qualidade da gordura proveniente da alimentação.

Existem 4 tipos de gorduras nos alimentos:

1- Gorduras saturadas: estão presentes naturalmente nos alimentos de origem animal (carnes, leite integral, manteiga, creme de leite, iogurte integral, queijos amarelos, bacon), azeite de dendê, coco, óleo de coco e banha;
2- Gorduras "Trans" ou Hidrogenadas: são produzidas artificialmente e adicionadas à maioria dos produtos industrializados;
3- Gorduras Poliinsaturadas: estão na maioria dos óleos vegetais e margarinas;
4- Gorduras Monoinsaturadas: encontram-se no azeite de oliva extra virgem e processado à frio, óleo de canola, abacate, nozes, castanhas e sementes (girassol, gergelim, linhaça,abóbora);

Todas elas tem o mesmo valor calórico (9 kcal por grama) entretanto, as 4 agem de formas diferentes em nosso corpo. As gorduras poliinsaturadas e as monoinsaturadas são conhecidas como as gorduras "do bem".

Dentro desse contexto, vem sendo investigado em atletas nadadores particularmente, a ação de ácidos graxos nos mediadores bioquímicos associados ao metabolismo lipídico.

Os ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 (AGPI N-3) vem atraindo a atenção de inúmeros pesquisadores pelo seu papel em estimular o metabolismo lipídico e turnover de lipoproteínas.

A suplementação de ácidos graxos N-3 em atletas nadadores altera os indicadores bioquímicos do metabolismo lipídico, influenciando na redução das lipoproteínas plasmáticas, ricas em colesterol e na prevenção de doenças cardiovasculares.

Outras pesquisas em bioquímica nutricional de lipídes, sugerem que uma suplementação diária de dieta com ômega 3 e vitamina E pode livrar atletas das freqüentes lesões musculares, causadas por atividades físicas intensas. Ou, pelo menos, amenizar as lesões de forma significativa, reduzindo o uso de fármacos antiinflamatórios, que possuem vários efeitos colaterais potenciais.

Ao ser submetido a esforços intensos, o organismo, produz naturalmente uma série de substâncias e compostos químicos /bioquímicos, relacionados às lesões, como protaglandinas, tromboxanos e algumas enzimas. São substâncias mediadoras de processos inflamatórios, de estrutura semelhante aos ácidos graxos poliinsaturados ômega 3. A diferença é que os ômega 3 não estimulam processos inflamatórios. Quando o atleta adota uma suplementação dietética, o ômega 3 compete com os outros compostos na síntese bioquímica, mas sem produzir as lesões. Tem sido usados, em especial, os ômega 3 conhecidos como eicosapentaenóico (EPA) e docosahexaenóico (DHA).

Deve-se ter cuidado com a oxidação, que resulta na produção de radicais livres (associados ao envelhecimento),motivo pelo qual está sendo estudado a suplementação de ômega 3 junto com vitamina E, que é o melhor antioxidante natural existente. Vale ressaltar, que a produção dos outros compostos – genericamente chamados de série 2 ou ômega 6 – não deve ser totalmente inibida, pois são substâncias importantes para outras funções do organismo, como controladores naturais da pressão arterial e mediadores da dor.

Em conclusão, sabe-se que atletas competitivos treinam exaustivamente e essa rotina de exercícios leva o organismo a um alto desgaste, principalmente se for associada à inadequada ingestão alimentar. Portanto, a suplementação de ácidos graxos ômega 3 é essencial para o controle adequado do perfil de lipoproteínas, além de promover um estímulo para a oxidação de ácidos graxos, e contribuir para a performance do atleta.

Referências Bibliográficas

AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION; DIETITIANS OF CANADA; AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE - Position of American Dietetic Association, Dietitians of Canada and American College of Sports Medicine: Nutrition and athletic performance. J. Am. Diet. Assoc. v 100, n.12, p. 1543-1556, 2001.

ANDRADE, Priscila de Mattos Machado; RIBEIRO, Beatriz Gonçalves; CARMO, Maria das Graças Tavares do. Suplementação de ácidos graxos ômega 3 em atletas de competição: impacto nos mediadores bioquímicos relacionados com o metabolismo lipídico. Rev Bras Med Esporte , Niterói, v. 12, n. 6, 2006 .

MAHAN, K. - Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 8ª edição. São paulo: Roca, 1995.

SOARES, Eliane A.; ISHII, Midori; BURINI, Roberto C.. Anthropometric and dietetic study of competitive swimmers of metropolitan areas of southeastern Brazil. Rev. Saúde Pública , São Paulo, v. 28, n. 1, 1994 .

Texto: Julia Ferrari
Fonte: Site Clinica Esportiva (Dra. Janete Neves)

Um comentário:

  1. Costumo usar frequentemente a suplementação de ômega 3 como anti-inflamatório e digo que tenho muitos resultados, "adoro". Mas o pulo do gato são as dosagens....Que normalmente não são baixas... Parabéns!

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