11 abril, 2011

HORMÔNIOS E QUEIMA DE GORDURA ...

Alguns processos metabólicos, como por exemplo, a queima de gordura, acorrem em nosso corpo através de diversos sinais bioquímicos decorrentes de respostas hormonais específicas. Os carboidratos, por exemplo, estão intimamente ligados aos níveis de gordura corporal. Na verdade, numa dieta inteligente os cuidados devem ser maiores com os carboidratos do que com as gorduras, porque?Os carboidratos ao serem ingeridos geram um aumento dos níveis de glicose no sangue, consequentemente o pâncreas libera o hormônio insulina na corrente sanguínea, para baixar esses níveis. O problema é que a insulina também é um hormônio de armazenamento, que tende a armazenar gordura para o caso de uma eventual falta de suprimento energético. Ou seja o excesso de carboidrato será convertido em gordura e armazenado juntamente com a gordura que por ventura tenha sido ingerida também, mesmo que em pouca quantidade. E ainda tem mais, alem de armazenar carboidratos na forma de gordura, a insulina impede que a gordura já armazenada seja disponibilizada para queima. Se o carboidrato ingerido for de índice glicêmico alto, ai a resposta é ainda pior. Quanto mais alto for o índice glicêmico do alimento mais altos serão os níveis de insulina plasmáticos.
Essas respostas variam de acordo com a reação insulínica de cada individuo. Aquelas pessoas gordinhas que apesar de comerem pouco, dificilmente conseguem perder peso, geralmente são pessoas com reações insulínicas altas. Ou seja, liberam mais insulina que uma pessoa normal, mesmo comendo uma quantidade relativamente pequena de carboidrato. Se for de índice glicêmico alto, então nem se fala (isso é um fator genético).
Que fique bem claro que o importante não é apenas tomar cuidado com a quantidade de calorias ingeridas para se perder peso, e sim com o tipo de alimento. Ou seja, não é só quanto se come, é o que se come. Portanto, cuidado com o que você ingere antes da atividade física, pois isso pode comprometer significativamente a queima de gordura.
É comum as pessoas utilizarem-se dos carboidratos imediatamente antes da atividade física com o intuito de terem mais energia para o treino. O que elas não sabem é que provavelmente não irão utilizar esse carboidrato, pelo menos não nesse treino. Quando ingerimos um carboidrato ele passa por diversos processos metabólicos antes de estar disponível como glicogênio. Esses processos levam algum tempo e com certeza você já terá acabado seu treino. O máximo que você vai conseguir ingerindo carboidratos imediatamente antes do treino é uma resposta hormonal indesejável. A energia para os exercícios devem vir de seus estoques de glicogênio já existentes em decorrência das refeições que você fez no decorrer do dia; isso pressupondo que você é uma pessoa que se alimenta corretamente .
Um exemplo típico e muito comum nas academias é a famosa barrinha de cereais. Essas barrinhas são compostas em sua maioria de flocos de arroz, carboidrato de índice glicêmico alto. Agora veja bem, se um individua ingere uma barrinha de cereais antes da atividade física e esse individuo não tem uma genética muito favorável, ou seja, é aquele gordinho com uma reação insulínica alta; a queima de gordura poderá nem ocorrer, ou ser de menor magnitude, apesar das míseras 80 ou 90 calorias que geralmente tem uma barrinha dessas. Importante frisar que nossa intenção não é de condenar o uso desse tipo de alimento, muito pelo contrario, os cereais são muito importantes
para nossa alimentação, a questão é que algumas pessoas devem limitar o seu
uso, principalmente antes da atividade física. Não haverá problema algum em utiliza-las após o exercício, por exemplo.
Infelizmente, para algumas pessoas aquela frase popular que diz "Carboidrato é energia", deve ser vista de outra forma, "Carboidrato é mais Insulina plasmática".
Felizmente o corpo humano é perfeito e como na física para cada ação existe uma reação para que haja o equilíbrio. Da mesma forma que a insulina inibe a queima de gordura, o seu antagônico, o glucagon, mobiliza mais gordura para queima. O glucagon é um hormônio liberado pelas ilhotas pancreáticas e que tem o efeito contrario ao da insulina. A grosso modo, um quer armazenar e o outro quer queimar. É justamente ai que esta o segredo, a insulina é liberada através da resposta hormonal à ingestão de carboidrato e o glucagon pela resposta à ingestão de proteína. Portanto para que haja um equilíbrio no organismo deve haver um equilíbrio entre insulina e glucagon e para que isso ocorra deve-se ter também um equilíbrio entre carboidrato e proteína. (Bergstrom S., Samuelsson B. e Vane J., Premio Nobel de Medicina - 1982). Uma sugestão bastante coerente é de 3 partes de proteina para cada 4 de carboidrato, no Maximo (Sears B. e Lawren W. - 1995), ex.: 30g de proteina e 40g de carboidrato. Contrariando um pouco alguns profissionais da área da medicina e da nutrição que sugerem 65 a 70% do total calórico diário de carboidrato, conceito que na minha humilde opinião esta um pouquinho desatualizado.
Uma vez que você já entendeu que deve haver um equilíbrio entre carboidrato e proteina e é sabido que o glucagon estimula a lipólise (mobilização das gorduras armazenadas), para que haja uma queima um pouco maior dessas gorduras armazenadas durante o exercício, segue a dica de um artifício bem simples: utilizar-se de uma quantidade moderada de proteina antes da atividade física (Whey Protein, Albumina, Proteina Isolada de Soja ou Amino Acido liquido). Com isso, como já foi dito, haverá uma liberação maior de glucagon, que já é estimulada pelo próprio treino juntamente com a adrenalina, consequentemente mobilizando mais gorduras.
Deve-se aprender de uma vez por todas que para que haja perda de peso não há necessidade de se ficar horas e horas continuas na academia, o exercício é importante, porem sem exageros . Contudo o fator mais importante é aprender a se alimentar corretamente.

Referencias -

- Ahlborg. G., Felig, P., Hagenfeldt, L., Hendler, R., and Wahren, J. (1974). Substrate turnover during prolonged exercise in man.
- Maughan, R., Gleeson, M. and Greenhaff, P. L. Biochemistry of exercise and training.
- Sears, B. and Lawren B. Enter the zone.
- Lehninger, A. L. Principles of biochemistry.


3 comentários:

  1. Excelente texto Prof!

    Pedro Otas

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  2. Otima explicação... Entendi tudo....

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  3. Frustrante, mas muito interessante saber o quanto eu estava me alimentando de forma errada. Agora, uma pergunta: existe Glucagon pronto para consumo no mercado?

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