01 novembro, 2010

LACTATO X FADIGA E DOR MUSCULAR, ALGUMAS VERDADES

“O ácido láctico é o responsável pelo processo de fadiga durante o exercício e é causador da dor muscular!”. Quantas vezes já escutamos essa frase?
Não é difícil encontramos na literatura vários estudos que demonstram as “boas” qualidades dessa substância e o intuito deste texto é comentar um pouco mais sobre esse metabólito.
Conceituação

O lactato é um produto final de uma das fases do metabolismo anaeróbio (também citado com sistema láctico ou de lactato), mas pode ser produzido no metabolismo aeróbio em outras condições (glicólise aeróbia).

Comumente, são utilizadas as nomenclaturas ácido láctico e lactato (algumas fontes ainda colocam o lactato sendo um produto da metabolização do ácido láctico); a primeira tende a relembrar o ação bacteriana sobre a lactose (fermentação láctica); devido a essa definição, e, também por seguir a nomenclatura atual, será adotado o segundo termo.

Produção

Equivocadamente, por muito tempo, entendeu-se que o aumento do lactato estava intimamente ligado à fadiga. Estudos mais recentes demonstram que a fadiga é o resultado de um processo multifatorial, não podendo ser relacionado apenas ao metabolismo energético. Outro ponto importante é que a quantidade de lactato presente no músculo ou sangue em qualquer instante, é muito menor que a quantidade formada e eliminada, já que o lactato é produzido e eliminado contínua e freqüentemente, mesmo em repouso, na musculatura devidamente oxigenada.

Mesmo não havendo um conceito fechado sobre a importância do lactato na regulação metabólica, a seguinte evidência fisiológica nos leva a crer de sua efetividade: comparado-o com a glicose e outros combustíveis utilizados no metabolismo, é um substrato menor, prontamente substituível e que não precisa de um co-fator, como a insulina. Com os bons olhos da ciência caindo sobre essa substância, duas novas hipóteses sobre a produção do lactato no organismo surgiram:

- Paradoxo da Glicose: sugere que a glicose liberada no sangue após a absorção do carboidrato dietético vai ao fígado e é captada pela musculatura esquelética, que por sua vez, poderá sintetizar glicogênio ou lactato. Assim o lactato voltaria ao fígado e contribuiria na formação de glicose e glicogênio;

- Transporte de Lactato: sustenta que o lactato produzido na musculatura ativa (fibras glicolíticas de contração rápida) pode contribuir para a energia e reposição do glicogênio no músculo e no sangue. O lactato proveniente das fibras glicolíticas de contração rápida alcançaria os capilares musculares e, assim, entraria na circulação gera.

Implicações práticas

Atualmente, existem testes metabólicos que mensuram a quantidade de lactato no organismo: análise do lactato sanguíneo e limiar anaeróbio. Ambos os métodos podem sugerir ao treinador e atleta como alcançar o ponto no qual o treinamento possa influenciar de forma positiva em uma maior eliminação e menor produção do lactato durante as competições. Conhecendo que via metabólica é predominante no esporte em questão, é possível maximizar os resultados e levar ao maior controle e segurança nos treinos e competições desportivas.


Referências Bibliográficas

1. BROOKS GA. Ácido láctico no Sangue: O “Vilão” dos esportes torna-se bom. GSSI – Fisiologia do Esporte / Bioquímica - Setembro / Outubro, 1995;

2. MAUGHAN R; GLEESON M & GREENHAFF PL. Bioquímica do Exercício e do Treinamento. Editora Manole, 1° Edição Brasileira – 2000
Publicado em 05/01/2004

Texto: Carlos Magno
Fonte: GEASE

Nenhum comentário:

Postar um comentário