23 novembro, 2010

ALTA INGESTÃO DE PROTEINA X SOBRECARGA RENAL ...


Qual a quantidade ideal de proteina que se deve ingerir sem que haja sobrecarga renal. Perdi a conta do numero de artigos e estudos realizados pelos mais diversos e renomados teóricos da ciência e por incrível que pareça, NÃO existe uma hunanimidade na questão.Quem já não ouvir dizer que o corpo humano teria, hipoteticamente, uma “limitação” para assimilação das proteínas ingeridas e que qualquer quantidade acima de 30g por refeição seria excesso, SERÁ ??? Daí a idéia de distribuir o total diário de proteínas ingeridas em varias doses pequenas. Mas de onde é que sairam essas 30g. Deve-se ingerir qualquer coisa em torno de 30g por refeição independentemente do peso, idade, sexo, perfil metabólico do individuo ??? Um consumo maior que esse resultaria em uma sobrecarga renal devido o excesso. Mas afinal de contas “o que é realmente excesso ?” Cada um sugere uma determinada quantidade que seria adequada para que não haja uma sobrecarga; 0,5g / kg / dia - 1,0g / kg / dia - 1,5 / kg /dia e por ai vai . O artigo mais recente que li, escrito por uma nutricionista que não importa o nome, sugeria categoricamente e com toda a propriedade do mundo que : “um individuo adulto com peso normal (alguém pode me explicar o que é peso normal, rs rs), deve ingerir 0,8g de proteína por kg de peso corpóreo ao dia, ou, 10 a 35% do valor calórico total da dieta sob a forma de proteína “. Parece muito bonito, agora analisemos a questão : imaginem um individuo com cerca de 70kg, 1,70m de estatura e com uma media de idade de 30 anos; 0,8g por kg de peso totalizariam cerca de 56g de proteínas diárias (0,8 X 70kg), ou ainda, segundo a autora 10 a 35% do total calórico diário. Isso significa, de acordo com um dos protocolos mais utilizados para calculo de necessidades calóricas (Harris Benedict, revisado por David C. Frankenfield ) que o gasto calórico para um individuo com as características acima e com atividade física moderada seria em torno de 2600 Kcal, isso quer dizer que 10% desse total proveniente das proteínas correspondem a (1)65g, já 35% corresponderiam a (2)227,5g.

35% ou 227,5g equivalem a (3)3,2g de proteína/kg/dia, ou seja, por vezes ela sugere 0,8g /kg/dia, em seguida sugere 3,2g/kg/dia. Me ajudem, por favor, eu devo ingerir 0,8g ou 3,2g ( 4 vezes mais) de proteína por kg / dia ??? 10% a 35%, a diferença é enorme. Se minha TV não estivesse desligada acharia que estava assistindo um episódio de “LOST”, rs rs !
Piadinhas a parte, a bem da verdade, o reflexo do consumo excessivo de proteína na doença renal tem sido estudado há muitos anos, mas ainda não há evidências suficientes que comprovem que a alta ingestão desse macronutriente possa causar danos renais em indivíduos SAUDÁVEIS, e que, portanto, possuem um funcionamento normal dos rins. (Knight EL, Stampfer MJ, Hankinson SE, Spiegelman D, Curhan GC. The impact of protein intake on renal function decline in women with normal renal function or mild renal insufficiency. Ann Intern Med. 2003;138(6):460-7)
Algumas explicações para a possível relação entre uma alta ingestão de proteína e algum dano renal são de que, como os rins eliminam os subprodutos do metabolismo da proteína ( uréia, amônia, dentre outros), seu consumo elevado pode aumentar a taxa de filtração glomerular (processo pelo qual se forma o filtrado glomerular, sangue filtrado antes de se transformar em urina), isso causaria um aumento da pressão dentro dos glomérulos, fazendo com que a função renal seja prejudicada progressivamente. Apesar disso, alguns autores acreditam que essas alterações na função renal geradas pelo consumo excessivo de proteína são adaptações fisiológicas normais do organismo humano, certamente que dentro de um limite da capacidade renal. Um bom exemplo é o que acontece com as gestantes, que precisam aumentar sua ingestão calórica total, com conseqüente aumento da proteína alimentar, o que poderia aumentar em até 65% a taxa de filtração glomerular. Nem por isso elas sofrem algum dano renal (Martin WF, Armstrong LE, Rodriguez NR. Dietary protein intake and renal function.Nutr Metab (Lond). 2005 Sep 20;2:25). Outro bom exemplo é o dos fisiculturistas que em alguns casos chegam a ingerir 500 ou 600g de proteína / dia. Esses então já estariam sem os rins, rs rs , no entanto encontram-se bem saudáveis !
Entretanto é importante lembrar que, mesmo não havendo comprovações científicas de danos renais com a ingestão elevada de proteína, devemos tomar alguns cuidados. Por exemplo, quando há excesso de proteína na circulação , esse será degradado e depois armazenado na forma de gordura. Outro agravante é que o consumo em excesso pode causar um aumento da excreção de cálcio e, portanto, diminui a utilização desse mineral.
Apesar de tudo, até o momento, não é necessária a restrição na ingestão de proteína em INDIVÍDUOS SAUDÁVEIS, já para indivíduos com antecedentes de alguma nefropatia qualquer, alguns cuidados nas dosagens seria prudente !
OBS. : Só ouvimos comentários em relação a sobrecarga renal quando se especula quanto ao uso de suplementos tipo proteínas em pó, no entanto, quanto a ingestão de “toneladas” de carne consumidas nas churrascarias da vida, não se ouve nenhuma palavra ... Ou seja, com proteínas de excepcional qualidade como a lacto-albumina, por exemplo, com valor biológico acima de 100 e altíssima digestibilidade, devemos ter extrema precaução; já com as carnes bovinas e suínas, onde o valor biológico é mediano, com o agravante da gordura poli saturada, oxidada por horas na brasa das churrasqueiras, não haveria nenhum problema ??? “Ou estou ficando louco ou alguém não esta raciocinando direito.”

1- 10% de 2600 ÷ 4 = 65g “por que cada grama de proteína tem 4 calorias”
2- 35% de 2600 ÷ 4 = 227,5g
3- 227,5 ÷ 70 (peso)

Texto: Sergio Sheman

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