15 julho, 2010

SURF X ATIVIDADE FÍSICA ...

O surf é uma das atividades físicas que mais conquistou adeptos nos últimos anos e vem crescendo e adquirindo respeito no mundo esportivo. Ainda em pequena escala a comunidade científica vem trazendo informações importantes para o desenvolvimento desse esporte, porém, há muito a ser descoberto.No início deste século, observa-se que alguns esportes antes vistos como passatempo ou sem nenhuma expressão mundial, estão conquistando espaço no cenário esportivo internacional. O surf, que até final da década de 80 possuía uma visão um tanto quanto denegrida, por ser uma atividade de praia, vem conseguindo mudar este perfil, tornando-se um dos esportes que mais conquistou adeptos e simpatizantes nas últimas décadas no Brasil. Suas federações têm recebido maior apoio a cada ano, pois é um esporte que movimenta milhões de dólares em âmbito internacional e que possui projeto junto ao COI (Comitê Olímpico Internacional) para tornar-se modalidade olímpica. De acordo com o presidente da ISA, Fernando Aguerre, o surf já é praticado por mais de 17 milhões de pessoas em 70 países. De acordo com Araújo, em 2002 já havia mais de 300 surfistas profissionais brasileiros disputando em iguais condições com australianos, americanos e havaianos nas competições profissionais internacionais.
Tendo em vista que o crescimento do surf foi muito rápido, e que algumas abordagens desse esporte não acompanharam esta ascendência, fica claro a importância da contribuição da ciência para desvendar meios, materiais e métodos de prática e treinamento neste esporte, tornando-se assim, uma motivação para pesquisadores que buscam esta área para explorar diferentes temas de estudo, já que necessitam de fundamentações científicas para uma melhor interpretação dessa modalidade.
No surf amador e até mesmo no surf profissional dificilmente encontra-se um atleta que tenha um acompanhamento técnico, e quando há, dificilmente ele está trabalhando seu atleta globalmente e respeitando os princípios de treinamento desportivo. Em 2003, Jardim et al entrevistou 38 surfistas sendo destes 18 profissionais que estavam participando da etapa gaúcha do SUPER SURF (campeonato profissional nacional), e outros 20 surfistas que eram amadores e participavam de uma etapa do Campeonato Colegial do Rio Grande do Sul. Entre os principais resultados o autor relata que apenas 20% dos atletas amadores possuíam algum tipo de acompanhamento técnico e entre os profissionais esse acompanhamento alcançava 39% dos entrevistados.
Para o treinamento de qualquer atividade ou esporte, torna-se necessário o conhecimento geral da modalidade trabalhada em seus conhecimentos específicos do ponto de vista físico, técnico, tático e psicológico, visando segurança, desenvolvimento motor, adaptações orgânicas e, sobretudo, performance nos mais diferentes níveis de competição.
A partir do momento que houver uma caracterização fisiológica dos praticantes de surf, alterações na fase de preparação de atletas virão a acontecer e a busca por um treinamento específico tornar-se-á constante. Existem vários métodos para determinar essas características, analisando o VO2máx, determinando o limiar anaeróbio, analisando o comportamento cardíaco durante a prática, alterações hormonais, comportamento glicêmico, scouting das movimentações que ocorrem durante a atividade, entre muitos outros.
Apesar do crescente interesse do público em relação ao surf, poucos dados de referencia tem sido divulgados pela comunidade científica a cerca desta modalidade esportiva, dificultando as orientações científicas dos profissionais ligados a ciência do esporte. Sendo assim, seria oportuno um estudo que investigasse algumas variáveis fisiológicas importantes para prática desta modalidade esportiva, servindo de base para futuras comparações.

Texto: Riell Carlet, Arlindo L. Fagundes e Michel Milistedt

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